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Biografia

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Demétrio Cinattio nasceu em 1 de Maio de 1851, em Lisboa, e morreu na mesma cidade, em 15 de Novembro de 1921.
Era filho de José Cinatti e de Maria Rivolta Cinatti.
Casou na Sé de Macau, em 25 de Abril de 1876, com Hermínia Maria de Jesus Homem de Carvalho (1853 – 1900 – ou 1901), de quem teve uma única filha, Hermínia Celeste Rivolta Cinatti (1876 – ou 1877 – 1917), e um único neto, Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes (1915 – 1986).

Seu pai, José Cinatti (1808-1879), cenógrafo, arquitecto e arqueólogo italiano, nascido em Siena em 1808, foi em 1836 contratado por António Lodi para o teatro de São Carlos em Lisboa, onde se associou com Aquiles Rambois, sendo considerado o maior cenógrafo do seu tempo, e dos maiores arquitectos então em Portugal : além de pintarem os cenários para os teatros de São Carlos, D. Maria e Laranjeiras, foi autor de projectos como os da Quinta das Laranjeiras, dos Condes de Farrobo, decoração dos palácios e jardins dos Duques de Palmela no Calhariz de Sesimbra e em Lisboa, decoração das principais salas do Palácio das Necessidades e risco para a conclusão das obras de Belém, diversos jazigos monumentais no Cemitério dos Prazeres, assim como de numerosos edifícios em Lisboa.
Em Évora, delineou o Jardim Público, incluindo as “Ruínas Fingidas” ainda hoje ali existentes ; e dirigiu a obra modelar de conservação e restaurio do templo romano, sem a menor mutilação ao acrescentamento.
Morreu em Lisboa, em 23 de Julho de 1879.

 

CARREIRA NA ARMADA

Demétrio Cinatti assentou Praça, com 17 anos, em 12 de Novembro de 1868.
Frequentou e completou o Curso Preparatório de Marinha na Escola Politécnica, em 13 de Julho de 1870, e o da Escola Naval, em 12 de Outubro de 1871.
Completou os três anos de embarque fora dos Portos do Continente do Reino, em 30 de Janeiro de 1875.
Foi aprovado no exame previsto nos artigos nos 41 a 43 do decreto de 26 de Dezembro de 1868. Trata-se do exame prático realizado pelos Guardas Marinhas, após terem servido durante três anos em Navios de Guerra portugueses, com vista à promoção a 2º Tenente.

POSTOS

  • Aspirante Extraordinário – 1868
  • Aspirante do Quadro – 1871
  • Guarda Marinha – 1871
  • 2º Tenente – 1876
  • 1º Tenente – 1884
  • Capitão Tenente – 1890
  • Capitão de Fragata – 1898
  • Capitão de Mar e Guerra Honorário – 1906

CRONOLOGIA
[1871-1884]

  • 1871 – 1872 – Prestou serviço no Mar nos seguintes Navios: Corveta Estefânia, Fragata D. Fernando e Corveta Duque da Terceira (Estação Naval de Angola).
  • 1872 – Regressa à metrópole por indicação da Junta Militar de Saúde da Província de Angola, onde permanece de licença até 23 de Março de 1873.
  • 1873 – Prestou serviço na Fragata D. Fernando (de 29 de Março a 4 de Junho).
  • 1873 – 1876 – (de 5 de Junho de 1873 a 6 de Maio de 1876) Demétrio Cinatti encontra-se colocado na Estação Naval de Macau onde prestou serviço nos seguintes Navios: Canhoneira “Tejo” (por dois períodos), Escuna “Príncipe D. Carlos” e Canhoneira “Camões”. Regressa à metrópole em 18 de Julho de 1876.
  • 1876 - Promovido ao posto de 2º Tenente em 6 de Outubro.
  • 1876 – 1878 – (de 19 de Julho de 1876 a 18 de Maio de 1878) Prestou serviço nos seguintes Navios: Fragata “D. Fernando”, Corveta “Rainha de Portugal” (por dois períodos) e Corveta “Bartolomeu Dias”.
  • 1878 – Por Portaria de 25 de Junho de 1878, foi nomeado imediato da Polícia do Porto de Macau, cargo que exerceu até 1880, quando passa a acumular o cargo de Comandante da Polícia do Mar com o de Capitão Interino do Porto de Macau. Em 28 de Julho de 1880, assume as funções de Capitão do Porto de Macau.
  • 1882 - Em 14 de Agosto, em requerimento dirigido ao Rei D. Luís, pede para ser ouvido em Conselho de Guerra, “por ter sido censurado e arguido [acusado] em documentos públicos e oficiais pela falta gravíssima de disciplina, por desobediência e acinte, com manifesta desconsideração [das autoridades instituídas], criando conflitos”. Em novo requerimento, de 12 de Setembro de 1882, também dirigido ao Rei, pede a exoneração do cargo de Capitão do Porto de Macau. Ambos os requerimentos foram indeferidos. Segundo o Governador de Macau, Joaquim José da Graça, tratou-se de um conflito com o Secretário-geral do Governo, Governador interino durante algum tempo, que estaria de relações cortadas com Demétrio Cinatti “por motivos particulares”.
  • 1884 - Por Portaria de 20 de Dezembro, foi exonerado, a seu pedido, do cargo de Capitão do Porto de Macau. Promovido a 1º Tenente em 15 de Dezembro de 1884.

[1885 – 1888]

  • 1885 – Nomeado, em 30 de Maio de 1885, Delegado Marítimo do Porto de Cascais. Exonerado do mesmo cargo em 13 de Novembro do mesmo ano. Requereu a sua reintegração no cargo mas o pedido foi indeferido por haver falta de Oficiais para guarnecer a Corveta “Duque da Terceira”.
  • 1885 – 1888 – (de 19 de Novembro a 9 de Junho) Prestou serviço nos seguintes Navios: Corveta “Duque da Terceira”, Canhoneira “Liberal”, Corveta “Bartolomeu Dias” (Divisão Naval de Moçambique) e Corveta “Afonso de Albuquerque”, na qual regressou à metrópole em 9 de Junho de 1888. Entretanto, havia sido nomeado, por Portaria de 18 de Maio de 1888, secretário da Comissão encarregada de propor um Projeto de Regulamento para a Armada (exonerado por Portaria de 14 de Agosto de 1889). Por Portaria de 16 de Julho de 1888, foi nomeado vogal da Comissão encarregada de elaborar e publicar uma coleção de cartas das Províncias Ultramarinas.
      

[1889 – 1906]   

  • 1889 – 1990 – Prestou serviço, de 31 de Maio a 13 de Outubro, na Corveta “Bartolomeu Dias”. Nomeado Cônsul em Cantão por decreto de 25 de Julho de 1889, funções que assumiu em 6 de Maio de 1890. Promovido a Capitão Tenente em 10 de Abril de 1890.
  • 1893 – Por decreto de 21 de Agosto, deixou de ser Oficial da Armada por ter optado pela Carreira Diplomática e Consular.
  • 1898 – Apesar do decreto de 21 de Agosto de 1893, foi, em 1898, promovido a Capitão de Fragata. Demétrio Cinatti não estava desligado da Marinha mas sim na situação de “inatividade temporária”.
  • 1906 – Por decreto de 14 de Abril de 1906, foi-lhe concedida a graduação militar honorífica de Capitão de Mar e Guerra, sem vencimento ou reforma como Oficial da Armada, visto ser-lhe aplicado o artigo 17º (“inatividade temporária”) do decreto de 14 de Agosto de 1892, por fazer parte do Corpo Consular no estrangeiro, com remuneração própria e direito a aposentação.

 

LOUVORES   

  •  1874 – Louvado pelo Governador de Macau “pelos constantes e assinalados serviços que prestou concorrendo eficazmente para minguar os males causados pelo destruidor tufão na noite de 22 para 23 de Outubro de 1874”.
  • 1875 – Louvado pelo Governador de Macau “pela prontidão, coragem e bom comportamento por que se houve na coluna de desembarque na povoação de “Tai-Tio”, a fim de proteger o embarque à madeiras que os piratas desta povoação roubaram a uma China da Taipa”.    
  • 1879 – Louvado pelo Governador de Macau “por se prontificar a acumular serviços sem a acumulação de vencimentos, [e] mais ainda, pelo conhecimento, zelo e dedicação de que deu provas nos trabalhos topográficos da Comissão do Tombo”.
  • 1880 – Louvado pelo Governador de Macau “pela proficiência e esmero com que desempenhou o importante serviço como vogal da Comissão Filial do Recenseamento da População Marítima do Porto de Macau”.
  • 1881 – Louvado em nome de Sua Majestade El-Rei “ pelo muitos escrupuloso cuidado que teve no cabal desempenho do importante serviço que lhe foi cometido como membro da Comissão Filial de Recenseamento da População Marítima do Porto de Macau”.
  • 1881 – Elogiado “pelas actividades, zelo e dedicação pelo desempenho do seu cargo e pelos importantes serviços prestados por ocasião do tufão de 14 de Outubro de 1881”.
  • 1882 – Louvado pela Sociedade de Geografia de Lisboa pelo levantamento da planta da cidade e Porto de Macau.

  • 1910 – Louvado por Sua Majestade El-Rei “ pela dedicada e inteligente cooperação que prestou ao General Joaquim José Malhado, Alto Comissário de Portugal para a delimitação de Macau e suas dependências”.

   

CONDECORAÇÕES

  • Cavaleiro da antiga, nobilíssima e esclarecida Ordem de São Tiago do Mérito Científico, Literário e Artístico (1882)
  • Cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz (1895)
  • Oficial da Ordem de São Bento de Aviz (1895)
  • Medalha Militar de Prata de 1ª Classe de Comportamento Exemplar

 

CARREIRA DIPLOMÁTICA

Demétrio Cinatti ingressa, formalmente, na Carreira Diplomática e Consular em 1893, depois de ter sido nomeado, em Comissão de Serviço, em 1889, Cônsul de Cantão, e de, aparentemente ter abandonado a sua carreira de Oficial da Marinha.
No entanto, e apesar da documentação disponível ser equívoca em relação à sua ligação à Marinha, parece que, atendendo aos factos e à lei, nunca deixou de ser Oficial da Marinha, tendo apenas passado à situação de “inactividade temporária” (artigo 17º do decreto de 14 de Agosto de 1892).
De outra forma não poderia ter sido promovido a Capitão de Fragata, em 1898 (era Cônsul de Pretória), nem a Capitão de Mar e Guerra Honorário, em 1906 (era Cônsul no Havre), nem sequer ter recebido a pensão de reforma, em 1918, paga, em parte, pelo Ministério da Marinha.


CRONOLOGIA

  •    CÔNSUL EM CANTÃO (1889 – 1894)
    Nomeado Cônsul em Cantão por decreto de 23 de Junho de 1889, tendo assumido o cargo em 1 de Fevereiro de 1890.
    Promovido a Cônsul de 1ª Classe, em Cantão, por decreto de 28 de Janeiro de 1893.
    Encarregado da gerência do Consulado em Tóquio por decreto da mesma data.
    Negociou e firmou um acordo oficioso, em 1890, com o vice-Rei de Cantão, Li Hangzhang, sobre a utilização das águas do Porto interior de Macau.
  • CÔNSUL EM ZANZIBAR (1894 – 1895)
    Encarregado da gerência do Consulado de Portugal em Zanzibar, por despacho telegráfico de 12 de Maio de 1894.
    Tomou posse do Consulado em 30 de Julho de 1894, acumulando as funções de Cônsul com as de Delegado, por parte de Portugal (nomeado por Portaria de 20 de Agosto de 1894) na Repartição Internacional de Zanzibar, criada pela Conferência Internacional de Bruxelas.   
  • CÔNSUL E ENCARREGADO DE NEGÓCIOS EM PRETÓRIA (1895 – 1902)
    Nomeado Cônsul em Pretória, por decreto de 1 de Agosto de 1895, tendo assumido o cargo em 9 de Novembro do mesmo ano.
    Foi transferido para o Consulado de Portugal em Buenos Aires (não tomou posse), por decreto de 24 de Dezembro de 1901.
    Promovido à categoria de 1º Oficial por decreto de 31 de Dezembro de 1897.
  • CÔNSUL GERAL DE HAVRE (1905 – 1911)
    Nomeado Cônsul Geral Supranumerário do Havre, por Decreto de 1 de Maio de 1905.
    Tomou posse do cargo em 29 de Maio do mesmo ano.
  • MISSÃO DIPLOMÁTICA PARA A DELIMITAÇÃO DE MACAU E SUAS DEPENDÊNCIAS (1909 – 1910)
    Nomeado, por Decreto de 19 de Maio de 1909, para fazer parte da Comissão de delimitação do território de Macau e suas dependências.
    As negociações decorreram em Hong-Kong, com início em Julho de 1909, duraram quatro meses,  e incluiram  nove conferências oficiais, a troca de 21 memorandos, e, também, vários encontros informais.
    O General Joaquim José Machado representou Portugal, Gao Erqian a China.
    As posições inconciliáveis de Portugal e da China em relação à matéria em discussão, delimitação e demarcação de Macau para os portugueses / recuperação dos direitos territoriais usurpados para os chineses, conduziu ao fracasso das negociações.
  • CONSULADO EM LONDRES (1911 – 1917)
    Colocado no Consulado em Londres por decreto de 27 de Março de 1911.
    Transferido para o Consulado em Roma por decreto de 10 de Junho de 1917 (não tomou posse).
    A tíulo de curiosidade, note-se que DC sucedeu no cargo ao seu cunhado, Jaime Batalha Reis, casado com a sua irmã Celeste Cinatti.

APOSENTAÇÃO E REFORMA

Demétrio Cinatti, desde 1915, pelo menos, manifestou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros o seu desagrado por ter sido repetidamente preterido nas promoções da carreira diplomática e consular.
Em 1917, dirigiu à Câmara dos Deputados do Congresso da República, um requerimento no qual pediu a reparação da sua situação para efeitos de reforma.
A Comissão de Marinha da mesma Câmara interpôs um parecer e elaborou um projeto de lei que, satisfazendo as pretenções de Demetrio Cinatti, deu origem ao Decreto com força de Lei n.º3799, de 19 de Janeiro de 1918, que lhe concedeu a reforma com a pensão mensal de 160$00 paga à cota de 84$70 pelo Ministério da Marinha e de 75$30 pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Morreu em Lisboa, em 15 de Novembro de 1921

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IN, Encicloédia Luso-Brasileira


CINATTI, (Demétrio). Capitão do mar e guerra da Marinha Portuguesa e cônsul geral de 1.ª classe, filho de josé Cinatti e D. Maria Rivolta Cinatti; n. em Lisboa em 1851 e m. em Lisboa em 1921. Foi comandante da polícia do Porto de Macau (1880) onde desempenhou várias missões que lhe mereceram louvores; cônsul em Cantão (1890), em Zanzibar (1894) onde exerceu também as funções de delegado por parte de Portugal na repartição internacional de Zanzibar, criada em virtude da Conferência Internacional de Bruxelas; cônsul geral de 1ª. Classe e encarregado de Negócios em Pretória (1895), onde ficou durante toda a guerra do Transvaal quando lhe foram confiados os interesses britânicos em Pretória. Era amigo pessoal do Presidente Kruger. Foi também encarregado do consulado do Havre (1905), tendo sido agraciado pelo governo francês com o oficialato da Ordem da Legião de Honra. Foi secretário do Alto Comissário de Portugal, general Joaquim José Machado (1909), para a delimitação de Macau e suas dependências, tendo sido louvado por essa cooperação. Em 1911 foi colocado NO CONSULADO DE Londres, passou a cônsul geral em 1913 e foi aposentado em 1917. Era cavaleiro de Sant’Iago e de S. Bento de Aviz, medalha militar de prata, etc.


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